Anatolfo Costa
"Eu, que queria tanto ter alguém, agora eu sei, sem mim eu não sou ninguém." - Ultraje a Rigor (Eu Me Amo)


Sexta-feira, Janeiro 29, 2010

Senhorita,

Não te vejo desde antes de lhe conhecer. Há muito tempo estás tão perto de mim, ainda que a distância nos separe, estás tão dentro de mim. É uma carta de amor, esta que lhe escrevo? Acho que sim. Você sabe que sim, não é? Vamos direto ao assunto. Gostaria de lhe homenagear por ter sido capaz de manter uma amizade por todo esse tempo em que não nos conhecemos e agora, que nos conhecemos tão bem, lhe devo a minha gratidão. Não só por isso, mas por tudo o que passamos, cada um em seu canto, e por termos dividido este e muitos outros tantos. Você sabe que esta carta é pra você, não é? Eu gostaria que você me dissesse se ela chegou aí e há quanto tempo. Eu gostaria de lhe dizer que eu gostaria que você soubesse o quanto te gosto. Você sabe de quem estou falando, não é? Espero que sim, pois esta carta é só pra você.


Com amor,

...

por Sinhorana | Comentários # | 17:15


Terça-feira, Dezembro 01, 2009

Ser Nada

Queria construir um castelo em mim,
Sem muralhas para deter o intruso,
Nem teto para deter o infinito
E nem paredes para deter o instinto.

Queria construir um infinito
Sem castelo, para morarem em mim
A treva, para a qual não há chão,
E a alegria eterna dosada em momentos.

Queria não construir as trevas
Aonde me refugio de mim.

Queria construir um castelo em mim
Sem muralhas para deter o amor
Nem teto para deter a esperança
E nem paredes que venham a me deter
De fugir, enfim.

Queria em mim construir o que chamo de nada,
Um castelo mal-acabado, posto que nem começado.
Sem planta nem lista de materiais,
Com vaga idéia da decoração, de coração.

Queria começar um castelo tão frágil,
Que posto o tijolo de cima, quebra-se o debaixo,
Mas que ele, ao menos tenha, semeado em seu centro
Um jardim.

Pois as plantas e arvores mudam
Com o tempo e com o vento.
E recebem de bom grado a chuva e a tempestade
E a primavera inexata deste mundo deturpado.
E que mesmo com tantos problemas, cresce.
É um castelo de casca frágil, fácil de ser maculada,
Mas cujo interior sabe do todo tirar o seu sustento,
Sustentar sua morada.

Ah, árvore. Quisera eu, como tu,
Não ser dono de morada.
É que tu és abrigada pela terra
Enquanto eu sou obrigado pelo homem
A ter tudo e a ser nada.

por Sinhorana | Comentários # | 11:49


Sexta-feira, Novembro 27, 2009

Senso Amplo

Nós não somos a consequência do que temos,
Mas nós temos a consequência do que somos.
Não há azar que não se origine de um descuido.
Não há sorte que não se origine de um esforço.

Quando deixamos nossos bens moldar nossas personalidades,
Então não temos personalidade, temos bens.
E bens não dão sorte nem azar, e tão pouco fazem nascer mais bens.
E o tempo, causa maior, um dia os apagará.
E se formos nossos bens, também um dia seremos apagados.

A vida eterna é o legado
E o legado mora na terra.
O céu ou o inferno que leva nossas almas
Nada mais é do que a maneira com que o coração das próximas gerações guardará
A lembrança de quem somos.

Nós somos, cada um, uma natureza.

por Sinhorana | Comentários # | 19:11


Sexta-feira, Maio 08, 2009

Amar

Todo amante é parte de quem ama
E sabe que amar é se sentir um deus só,
Contemplando um sonho que quer criar.
E todo deus é só, pois só lhe pertence o amor.

Amar é um admirar profundo e constante
Sem um motivo que se apresente.
E querer justificar o amor é uma perda de tempo tão linda

por Sinhorana | Comentários # | 00:20

Irmãos do Norte

Eu não sei por que
Mas quando uns milhares caíram
De inabaláveis torres
De um inabalável país
Eu não senti pena, eu não senti dó.

Eu não chorei por quem pulou
Por quem ficou e morreu
Por quem ficou e viveu, ou não
E nem me culpo da felicidade que sinto
Pelo orgulho ferido de outrem.

Há os que querem e tem, e os que não tem
E há os que pedem e não querem e sempre tem.
E para quem sobe num pódio que não merece,
Há a queda e a ilusão
De se achar alguém que não chegará a ser.

por Sinhorana | Comentários # | 00:00


Terça-feira, Dezembro 30, 2008

O Mundo e o Poeta

O mundo e o poeta dormem sob o mesmo teto, no mesmo quarto, debaixo dos mesmos lençóis. E de vez em quando o mundo, num bruto movimento, ao poeta acorda e este, ao notar que o tempo que passou fez do presente o tempo "tarde demais", tenta acordar o mundo com palavras tais, que fazem o mundo abrir os olhos por um instante. E diz ao mundo que, apesar de tarde, ainda é hora de dizer bom dia pra todo o dia que passar e fazer o que for preciso, ao invés de apenas sonhar. Mas o mundo dá um sorriso, faz no rosto do poeta um carinho e começa a seus olhos fechar. E o poeta, como parte do mundo, põe-se novamente a sonhar.

por Sinhorana | Comentários # | 02:10


Domingo, Novembro 30, 2008

Querida

Mete o nariz onde não deve,
Enxerida.
Invade praças e calçadas,
Minha vida.
Me amedronta o teu poder,
Mesmo ferida,
De retribuir ao homem,
Talvez fria,
Todo o mau que a ti causaram,
Querida.

Este texto foi concebido em homenagem à fotografia de meu irmão que pode ser vista no site http://pobrefotopobre.blogspot.com/. A imagem está intitulada de A Natureza vai Prevalecer.(clique para ver). Aproveite e veja as outras fotos e os textos.

por Sinhorana | Comentários # | 09:36


Segunda-feira, Julho 28, 2008

Não é Problema Meu

São versos prontos,
Frios, sem-graça e pueris,
Saídos do forno há gerações.

São sentimentos bobos,
Reações estúpidas, pensamentos tolos,
Coisas difíceis de entender.

São conceitos estranhos,
Contraditórios, mal-formados,
mal escritos - mal ditados.

É um comportamento tolo,
Um jeito frio, um mal sem cura,
Que não se cura.

Sou assim mesmo, esse problema,
Que eu não vejo,
Que é problema de quem o vê.

E se não gosta, se afasta de mansinho
Que é pra eu só perceber
Segundos antes de você se mexer.
Que é pra eu não me importar
Com a distância que você tomar
Momentos antes de se afastar.

por Sinhorana | Comentários # | 04:37

Palavras

Ela fugiu de minhas veias,
E se deixou gosto em minha boca
Foi um amargo de dar tristesa.

Ela nunca mais passou pelo meu coração,
Nem correu pelos meus dedos,
Que por ela não seguram mais penas.

Eu sinto saudades do encanto
Que faziam meus olhos brilhar tanto
Ao vislumbrar os negros traços
Riscados, rabiscados, corrigidos e negados.
Reescritos enfim.

Era quase que um perfume
A ciência de sua pureza
De sua origem, essência e beleza.

por Sinhorana | Comentários # | 04:04


Terça-feira, Fevereiro 12, 2008

Nossas Pegadas

No caminho para o paraíso
Eu vi fogo e vi fumaça,
Eu vi a morte chegando aos poucos
E não sabia que era tão forte.

Eu vi a minha, eu vi a sua
E a de outros tantos milhões.
No caminho para o paraíso eu vi,
Meus pensamentos eram ilusões.

E lá chegando, o que não vi
Foi a beleza de uma praia.
Vi asfalto, ferro e concreto,
Bitucas de cigarro na areia.

Eu vi chinelo boiando na água
E vi corpos espalhados lá na beira.
Eu vi gente e depois a chuva
E depois o lixo. Mas, e paraíso? Nada!

por Sinhorana | Comentários # | 01:31


Sexta-feira, Janeiro 25, 2008

A saga do pedestre pelas ruas da cidade

Minha cidade está do avesso.
As calçadas povoadas pelos carros,
Fazem o pedestre caminhar no asfalto.

Seu lazer está entre quatro paredes
E o pedestre se diverte com a porta trancada.
Mas isso só significa sexo
Se for pra ver na televisão.

O pedrestre sonha com o amor das novelas
E fica indignado com as notícias na TV.
E xinga gato e cachorro e companhia.
E reclama do emprego e da vida.

E na rua olha bundas, peitos, corpos,
Trai a própria esposa até em pensamento.
Pro amigos, nos bares, piadas e risada,
E pra família do pedestre não sobra quase nada.

Se ele anda na chuva,
Não quer ficar molhado.
E em sua caminhada
Só caminha de lado.

Ele não quer voltar pra trás
Nessa rua sem saída.
Reclama falta de dinheiro
E mal ele quer a vida.
Que culpa tem o pedestre
Ser assim, um suicida?

por Sinhorana | Comentários # | 16:06


Quarta-feira, Dezembro 19, 2007

Um poema que eu não queria escrever.

Será que aquela criança cresceu e já não vive mais?
Será que ela ainda é capaz?
Será que aquela luz está acesa, ou não acende mais?
Por que agora a luz é aquela?

Estou sentindo como se a distância saísse de dentro de mim,
Fechasse meus olhos, minha boca, meu nariz.
Eu não consigo respirar.
Quem é que ficou para trás? E quem é que deixou?

Estou tomado pela angústia e pelo medo.
Eu nunca soube o que fazer agora.
Eu não tenho certeza sobre o que aconteceu.
E a vida não anda e é sem graça com você tão longe.

Isso parece que queima o coração,
Entorpece a espinha,
Pesa no pulmão.
Igual ao que sinto quando descubro uma paixão,
Mas ao contrário.

Pesa nos pés
E quando a gente caminha tão sem vontade
Parece que o caminho fica diferente.
E fica, mais triste.

por Sinhorana | Comentários # | 02:02


Sexta-feira, Novembro 30, 2007

A Dança

Por que a vergonha de si
Se és tão bela quanto quando nasceu
E mais linda a cada dia?
Tão pura quanto a pureza que me falta.
Tão errada quanto os erros
Que eu falho em cometer.
Para quê toda essa tristesa
Se podemos dançar, certo ou errado,
Num chão só nosso?
Deita em nossa cama,
espalha o teu perfume pela casa
E vamos dançar, certo ou errado,
Sem eira, beira, teto ou chão.
Pisando a escuridão.
Vamos dançar até tropeçar,
Cair no ar que falhamos em respirar
Nos nossos momentos de loucura.
Vamos dançar a nossa loucura.

por Sinhorana | Comentários # | 01:05


Sábado, Agosto 18, 2007

Versos Roubados

Nos dias em que o amor cantado
É aquele que nunca aconteceu,
No tempo em que a arte se escondeu.
Eu quero sentir as dores,
Todas as dores de cada manhã.

Vou me jogar aos pés, exagerar,
Catar do chão o poema
De cada flor que brota
De teu sublime caminhar.

Vou misturar as letras,
Roubar os versos dos artistas
Só pra declamar a contento
Todo o amor que lhe tenho nesta vida.

por Sinhorana | Comentários # | 02:24


Quinta-feira, Agosto 02, 2007

Pela Janela

Não farei da beleza formas,
Tão pouco da essência, perfumes.
Aqui sorrisos são sóis
E os abraços embriagam.

Olhares são espelhos,
Os erros têm motivos
E erros e motivos, perdão.
É um lugar sem futuro.

O passado é uma aula,
O presente, um exercício,
Neste lugar que vou descobrir
Dentro de alguma canção.

Para te achar e saber
Tudo o que tens de mim.
Posso não conhecer minha casa,
Mas fico te observando lá.

por Sinhorana | Comentários # | 22:03
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